O Conselho Monetário Nacional se reunirá no dia 23 de julho próximo para definir a meta de inflação.
Se em cenário mais tranquilo o Banco Central não conseguiu fazer a inflação convergir para o limite superior da meta de 3%, praticando a maior taxa de juros do planeta, o que será do comportamento dos preços, do mercado e dos agentes econômicos ante o tarifaço político de 50%, anunciado por Trump a ser implementado a partir do primeiro dia de agosto?
É fato que após o anúncio de 9 de julho, a queda da Bolsa de Valores e o aumento do dólar foram menores do que era de se esperar. Esse movimento se explica, em parte, porque o mercado financeiro acredita que Trump está blefando. Assim, pode voltar atrás como ocorreu em relação a outros países que tinham superávit comercial com os Estados Unidos.
Entretanto, nos setores exportadores mais afetados pelo tarifaço já se antevê imediato aumento de custos dos produtos industriais, derivados da aceleração da produção e pagamento de horas extras, visando se antecipar ao 1° de agosto, mês do desgosto. Exportadores de pescado já não podem exportar por via marítima. Pequenas e médias empresas não dispõem de capital de giro para substituir embarques marítimos por transporte aéreo. Portanto, já sofrem o impacto do anúncio.
Convém destacar que a medida de Trump não contém racionalidade econômica. Diferentemente de outros países onde voltou atrás após negociação, o caso brasileiro é inteiramente distinto.
Pode ser que Trump recue, mas pode ser que resolva endurecer politicamente. Então, a decisão do Conselho Monetário Nacional – CMN, constituído pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do Banco Central, ocorrerá neste cenário de incerteza provocado por uma decisão política do ciclotímico presidente dos Estados Unidos.
Portanto, é prudencial aumentar a meta de inflação para 4%, a fim de dar maior margem ao governo, aos setores impactados e à economia brasileira para enfrentar os efeitos colaterais do anúncio de Trump.
Adroaldo Quintela
Economista e Diretor Executivo do Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste Brasileiro – IDENE